UMA
AVENTURA NO RIO APORÉ
Era dezembro e eu
passava uns dias no Mato Grosso do Sul.
Andava tão
estressada naqueles dias e levaram-me para lá para que eu pudesse descansar,
arejar a cabeça.
Realmente foram uns
dias singulares. Jamais me esquecerei tudo que vivi naquele povoado.
Numa manhã eu fui
sozinha pescar num rio próximo ao local que estávamos hospedados.
Bem, eu estava na
casa de amigos em São João do Aporé, o local fica situado bem próximo ao estado
de Goiás. Atravessamos o rio (vou guardar para sempre na memória aquela ponte
de madeira que atravessei tantas vezes naqueles dias que lá estive) e já
estamos em Lagoa Santa/Go.
Peguei apenas duas
varinhas, um viveiro para colocar os peixes, as iscas, uma garrafa de água,
umas frutas, um boné (caso o sol ficasse muito quente). Não me esqueci de levar
uma caixinha contendo linha, anzol, chumbada e um canivete que o Mauro me
emprestou.
Chegando à beira do
rio eu vi um tablado vazio (caso não saibam, um tablado é uma plataforma onde
os pescadores costumam se acomodar para pescar). Eu me instalei lá e fiquei a
observar tudo que me rodeava. A paz do lugar me encantava.
Vi araras e tucanos,
também um sabiá ficou cantando sobre uma árvore bem próxima ao local que eu
estava. Acompanhei aquela sinfonia do começo ao fim antes de me dedicar a
colocar a isca no anzol. Parece que a ave viera especialmente para me saudar.
Depois que ela se foi eu tratei de começar realmente a minha pescaria.
Peguei alguns peixes
e me diverti muito como sempre. Eu simplesmente devolvia ao rio os pequenos
para que crescessem mais e guardava no viveiro os maiores. Foram poucos naquele
dia, só uns três.
Eu podia notar que
formavam umas nuvens bem escuras a noroeste, mas não me importei muito. Fazia
muito calor e não me incomodava o fato de me molhar.
Eu vi o céu
escurecer. A água do rio se modificar.
Continue sentada no
tabladinho, mas os peixes já não vinham comer as iscas.
O rio aumentava de
volume e eu continuava ali.
Então a chuva caiu.
Forte, poderosa mesmo.
Eu fiquei com o boné
na cabeça para me proteger um pouco, mas de quase nada me servia.
A chuva me lavava a
alma. O calor era intenso e a água estava quase morna.
Vi descerem pelo
canal do rio plantas das mais variadas.
Eu sabia que aquele
rio acolhia as águas de uma vazante. Plantas aquáticas de uma lagoa maravilhosa
que fica alguns quilômetros acima desciam dando cambalhotas.
Fiquei a olhar os troncos
que desciam aos montes.
A água já quase
alcançava a altura do tablado e mesmo assim eu continuei ali.
Já não mantinha a
linha de pesca n’água, porque era simplesmente impossível se pegar alguma coisa
com um volume tão grande de água e toda aquela agitação.
A água, que tinha
uma cor clara quando eu lá me sentei, tornou-se puro barro.
Fiquei sentindo a
chuva sobre mim e vendo a transformação do rio.
Era uma torrente.
Fiquei no barranco
contente observando as mudanças que ocorrem na natureza.
Uma hora depois o
rio continuava volumoso e galhos ainda desciam. Eu já estava com a roupa seca
porque o sol havia voltado com força total.
Ajuntei minhas
tralhas e peguei o caminho de volta para casa.
Ao chegar lá me
perguntaram se eu não havia me assustado.
Sinceramente eu
respondi que não. Que tudo faz parte. Que foi um espetáculo e tanto.
sonia delsin
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário